sábado, 15 de novembro de 2008



Pois bem. Começa hoje o encontro do G-20! Sim, mas o que eu tenho a ver com isso? Na verdade, não sou muito de me preocupar com o tema: política. Nem no plano prático, nem no plano teórico. Mas não posso me esquivar de algo interessante nesse encontro, que visa uma ampliação das perspectivas acerca dos rumos da economia mundial, sobretudo depois dessa crise que o mercado global vive.
Algum dia vocês, sentados em frente da televisão, ou de olho no computador, ou mesmo com os ouvidos ligados no rádio, ouviram falar de um encontro oficial de países com o objetivo de se discutir os valores vitais e necessários ao desenvolvimento humanista do mundo? Eu, pelo menos nunca! Talvez porque já esteja pré-estabelecidos nesses encontros a força que o paradigma atual tem em nossa civilização. "Econômico", é a palavra de ordem de todos esses encontros e preocupações. Na reunião do G-20 não será diferente. "Ó, Israel, vê bem o que fala, quem disse que é fácil organizar uma diferente estrututa pautada em algo que não seja o econômico hoje em dia?" - sim, podem me censurar por me utilizar tão vulgarmente o conceito de Econômico, nã ligo. E num certo sentido, sou "senso comum" demais sobre esta aspecto. Mas o ponto central a que me refiro aqui, é a falta de interesse em resolver questões, nesses encontros, que ultrapassem este âmbito tão delicado da vida humana. "Mas as outras esferas da vida dependem diretamente da esfera econômica, Israel". Não, não acredito nisso. Talvez como uma necessidade de nossa época, ou da estrutura da vida moderna, mas não, nunca necessariamente, univesalmente, aprioristicamente, esta esfera seria predominantemente responsável pelas outras. Nossa visão de primeiro degrau ofusca a reflexão e não nos permite avançarmos para o fim da escada, para um horizonte mais amplo de significações e de perspectivas. O que se mostra com o encontro do G-20 é a angústia de não se aceitar de uma vez por todas todas as faces da realidade que não podem viver diretamente ligadas à economia. "Pensamento infantil! Inocente, e equívoco da realidade!". Não questiono isso, questiono o fato de que, deixando de discutir problemas maiores, como a escandalosa contradição entre o que podemso fazer em prol da melhoria de vida das pessoas, e o que se faz efetivamente; ou mesmo a naturalidade com que hoje deixamos de nos identificar com o outro.
Enfim, há que se pensar num novo paradigma, disto não tenho dúvidas. "Você fala como um marxista vulgar! Quer uma revolução, então pegue uma foice no quintal de casa e vá à luta!" Uma revolução está fora de questão, e não me entendo como um especialista em política para pregar um mote marxista. Refiro-me muito mais à incapacidade que temos atualmente de deixarmos de pensar outras perspectivas para nossa vida, um alargamento do horizonte do sentido do que é a vida em sociedade, para além do aspecto econômico preponderante que encontramos hoje em dia e que, de uma certa forma, é responsável pela inanição das reflexões sobre isso tudo. A razão perde seu sentido ao se considerar autáquica, autônoma. Ao se estimar seu valor nesses termos, os homens a colocam a serviço das mais variadas finalidades. Há que se reorganizar esta visão, não relativizar tanto o emprego da razão, apenas dilatá-lo. Utilizá-lo para objetivos mais nobres, menos vulgares, menos econômicos...
Viva o G-20! E sua hipócrita tarefa de fazer do mundo um lugar mais tranqüilo! Perde-se o significado da vida, nesses encontros e associações...

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