segunda-feira, 16 de março de 2009

Meu Deus! O tempo passa tão corrido que não percebo as transformações que acontecem ao meu redor, na cidade, nas pessoas, em mim mesmo... Agora paro para pensar, depois de dois anos tentando montar um quebra-cabeças meio estranho de algo que aconteceu comigo num passado não muito distante, em como andam as coisas comigo depois do referido acontecido (qual acontecido? diga!! enfim, como ia dizendo...) e percebo uma coisa bem curiosa que aos poucos vai se estabelecendo entre mim e o mundo de fora: constato a existência de laços, raízes!!! Mas que tem isso de importante? Não é o que estamos atrapalhadamente a tentar todos os dias de nossas vidas? A criar laços? Desatá-los? Por vezes procurá-los? Sim, certamente que sim. Mas meu caso é curioso, porque desde que fui para Marília, não vejo isto acontecendo comigo de forma mais concreta.
Como percebo laços em minha vida? Simples: quando memorizo números! E devo dizer que isto já é uma tarefa árdua para mim, que tenho uma péssima memória. Percebo a cada dia que passa que aos poucos vou me acostumando com os números que me cercam: telefones, endereços, direções, pagamentos... uma rotina vai se criando em torno de mim novamente, e parece que desta vez eu estou me abrindo para ela. Sem cair nas reflexões dos reveses de se viver numa rotina, creio que isto é um acontecimento que merece minha atenção. Geralmente temos mais capacidade de memorizar coisas quando temos uma afinidade com aquilo que é nosso objeto de memorização. Do contrário, a tarefa é das mais árduas. Mas hoje parece não ser tanto! Por isso meu espanto! Se me abro, o que isto significa? Se consinto que possa haver uma relação mais intensa entre o "eu" e o "outro", o "fora", isto não é de modo algum sem importância. Tenho que me perguntar: por quê? Por que neste momento da vida? Isto reflete uma transição? Mas esses dois anos para mim não foram já uma transição? Talvez a solidificação daquilo que nesse ínterim foi alvo de minhas reflexões. Talvez as lágrimas e as dores, e a depressão, não tenham afinal de contas sido em vão! Melhor para mim, que assim paro de lamentar a passividade de uma vida inteira, e começo a dar passos mais seguros rumo ao desconhecido futuro! Enfim, quero ver quão fortes serão estes laços, estas raízes... Quero ver a intensidade dessa vontade de me abrir novamente para o mundo... mas sou objeto de mim mesmo, e não estou devidamente afastado de mim para uma análise mais fria. Por enquanto, vivo... análises nesse patamare são sempre rodeadas de intensos sentimentos. Deixo que eles se apoderem de mim... depois eu volto a ser quem sou - ou não!!! Quem vai saber, não é verdade?
Mas este "post" está um tanto pessoal para que continue... é preciso parar por aqui...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Observação sobre o dia ordinário!

Sabe aquela sensação de que o dia é tão ordinário, tão ordinário, que de simplório, ele fica iluminado, especial? Pois é. Hoje parece um dia desses! Caminhando pelo centro de Araraquara, entre tantas pessoas que passavam ao meu lado, quase não resisti à tentação de fazer o mesmo que acontece no clipe do The Verve, daquela música Bittersweet Symphony. Era um dia cinzento, quase chuvoso, que insistia em sobreviver ao marasmo que foi essa sexta feira. Feitas as obrigações, pude andar com mais calma, e observar a estrutura da 9 de Julho, que é uma das ruas principais que deságuam na parte comercial do centro da cidade. Mais uma vez, nada de especial, tudo comumente comum!!
Pessoas trabalhando, andando distraídas na rua, entregando folhetos de igreja, vendendo frutas, tristes, encolerizadas, felizes, umas quase oferecendo um tímido: "boa tarde, tudo bem com você?", outras bufando um: "sai da minha frente, senão...". E eu com a dita música na cabeça, querendo protelar a volta para casa, querendo um pouco mais absorver na minha essência o significado desse dia comum que tanto meu fazia bem! Claro, muitas coisas interiores e exteriores contribuem para a minha visão tão colorida de um dia tão cinzento. Mas a mágica desse dia ainda não descobri! Não pude entender como algo tão corriqueiro se torna objeto de apreciação por parte de alguém. Que se danem todas as complicadas fórmulas da auto-ajuda! Não há como medir a felicidade ou a tristeza de alguém, nem uma metodologia científica que direcione os sentimentos das pessoas! Talvez se as pessoas olhassem com mais interesse o ordinário, seriam mais felizes... mas isso é apenas uma cogitação, e não uma prescrição. Vale pra mim, talvez não valha para mais ninguém! E me interiorizando, sinto que isso acaba sendo um imperativo na minha vida, não há como eu sair dessa imposição de mergulhar no ordinário. Para mim, é nele que estão todas as coisas que valem a pena serem vividas, é nele que está tudo o que há de ser especial na minha vida. Por isso não busco complicações, apesar de ser uma pessoa meio complicada as vezes... ^^ ... Mas Bittersweet Symphony continuava a ecoar pela minha cabeça, já se passavam das seis e meia, era hora de ir. E no ônibus de volta fiquei a pensar na garota que lia um gibi da Mônica sentada na área de alimentação do Extra que observara há pouco. Ela faltava sair pulando de contentamento com sua leitura, e apesar de tudo, o mundo à sua volta parecia não existir. Mergulhara no míster de ler tão profundamente que mal importava a ela o meu olhar indiscreto de observador. E eu quase ri com ela, não fosse a curiosidade que me força a olhar em todas as direções, para todas as feições e comportamentos. Se há alguma coisa que sou bom, e que minha criação cristã não me impede de ter orgulho, é de ser um bom observador! Claro que na maioria das vezes, guardo minhas observações comigo mesmo, converso apenas com meu interior quanto a elas. Talvez por um pudor que me é próprio, não sei bem. Naquela hora, no Extra, eu perdi a noção do termo "complicações". O fato é que fiquei pensando no devir, mais precisamente em como nos tornamos rabugentos no decorrer dos tempos, e perdemos a inocência da infância. Tratado besta este, de dizer da importância da inocência das crianças, coisa que já foi escrita por milhares de pessoas, com milhares de propósitos diferentes. Só queria deixar como adendo o que me ocorreu naquela hora: a expressão da menina, lendo seu gibi, num lugar público, era de total liberdade! Liberdade que a menina tinha de realizar o seu ser do modo como ela efetivamente queria! E não como a "postura adequada" dita para cada ocasião! E não apenas isso: percebia a cada página que ela acabava, que os homens têm o péssimo hábito de julgar os outros por aquilo que deixam de lado enquanto crescem, por aquilo que perdem enquanto "amadurecem". É como se houvesse uma necessidade de negar o que se foi, para afirmar o que se é. É como se uma onda de ceticismo fosse tomando conta de cada ser, quase um ressentimento, nascido das decepções que acumulamos em torno de nós. Mas o que deveria deixarnos mais esperançosos, deixa-nos mais desanimados. E a culpa cai muitas vezes na inocência com que vemos o mundo quando somos mais jovens, e que não tem uma relação necessária com esse fato. Certa vez, numa cidade um pouco distante desta aqui, visitei uma pessoa. Um dia fomos ao supermercado comprar algumas coisas que ela precisava na casa dela. Lembro-me bem de termos comprado um iogurte cada um pois estávamos com fome. Ao deixarmos o supermercado, sentamos no meio fio, e ali mesmo matamos nossa fome. O ato em si não quer dizer muita coisa. Mas a simplicidade do ato, foi o que contou para mim, e o que me marca até hoje na memória. Acho que foi uma das coisas mais simples que fiz, que tiveram significados extremos para mim. A cena de nós dois sentados no passeio, enquanto carros cruzavam a rua, e pessoas circulavam atrás de nós não me sai da cabeça, e talvez seja importante para mim que não saia mesmo. Foi um dia comum, que se tornou especial. Sentados ali, viramos cúmplices um do outro, por este gesto singelo de pararmos nossas rotinas para aproveitarmos aquele momento. Parecíamos duas crianças brincando com seus brinquedos novos sem dar importância para o mundo. E gostaria que a vida das pessoas fosse feita mais desses momentos, como daquele dia, como hoje...
Mas The Verve persiste... sentado aqui, agora, ouço a música repetidamente... e penso na metáfora que o clipe pode ter para mim, no tocante à vida: no clipe, o vocalista anda por uma rua e, a despeito das pessoas que vêm ao seu encontro, ele caminha sempre olhando pra frente, trombando com quem esteja no seu caminho. Acho interessante o clipe, porque ele me remete diretamente aquela metáfoa que falei: particularmente, acredito que deva ser assim o modo mais adequado de se enfrentar os problemas que a vida nos coloca. Caminhando sempre em frente, sem medo de esbarrar nos obstáculos que vemos pela frente, enfrentando-os de cara, e sem medo. E sempre com uma canção nos lábios, pois a vida deve ser sublime, mesmo que seja dura a nossa existência. Nosso destino é uma fatalidade, seja ele qual for. Cabe a nós, decidirmos como queremos enfrentá-lo. Prefiro viver como uma criança, sem medo dos erros que possa cometer, do que como um adulto cético que perdeu a vontade de experimentar a vida... não sei quanto as outras pessoas...

sábado, 24 de janeiro de 2009

É angustiante quando não se tem o que escrever. Principalmente quando a mão ordena veementemente que o ofício seja realizado. Boa coisa não sai quando é assim. E acredito que hoje não seja diferente. Poderia escrever sobre uma imensidão de coisas, mas não quero. Na verdade, minha vontade não quer. Mas uma vontade “quer”? Não é estranho que ela “queira”? Ou melhor, não seria já uma repetição dizer que uma vontade “quer” algo? Mas se ela “quer”, deve ser alguma coisa. A vontade “quer alguma coisa”? Isso não sei responder com certeza. Só sei que uma frustração, uma tristeza, é fruto de uma vontade não efetivada, mesmo que oculta. Daí, as grandes crises existenciais que todos têm. Daí, todas as ciências e filosofias que erigiram até agora o rumo das coisas. Daí, os feitos memoráveis de homens que mudaram o destino e o modo de ver o mundo. Tudo na vida, na vida verdadeira, não nesse enfadonho teatro que é nossa atualidade, deve ser resultado dessa disputa colossal entre um não recebido, e um sim desejado. É, portanto, sobre esse jogo de sim e não que gira todo o curso da realidade das coisas. Pelo menos humanas. Ainda não tenho uma perspectiva que me solucione a questão em termos totais, ontológicos. E mesmo essa não é a indagação aqui. Não penso na vontade como Vontade, ou seja, como substrato de todas as coisas, como “arché”. Penso a vontade nesse entremeio – sim/não. Uma vontade dura, é aquela que recebe mais nãos do que sins. Que enfrenta tantas adversidades, que se perde de vista a conta delas. Mas uma vontade fraca pode também passar por muitas adversidades. Mas a diferença, reside no fato de que, aqui, a vontade se fragmenta, se divide, se perde num mar de dores fictícias que ela cria para si mesma como sobrevivência: “se ainda dói, é porque ainda vive”. Mas, apesar de se ver viva na dor, a vontade fraca quer viver sem dor. Por isso a esquiva das adversidades, por isso o medo em enfrentar o destino, por isso a cautela em medir as palavras, os atos. Não se vive: sobvive. Enquanto a vontade forte parece confundir-se com as negações que ela encontra, a vontade fraca foge de tudo o que não lhe afaga, de tudo o que não lhe serve de consolo, ou mesmo que serve de bálsamo e de analgésico. E as vezes as vontades fortes se tornam fracas pelo simples motivo de receber muitos sins. Isso é o que há de pior para o caráter de uma vontade, no tocante às suas forças. O sim é a realização plena de um desejo, de um objetivo, de um fim. Mas quando existem diversos sins que nada significam para a vontade, ela pode se perder na imensidão de vetores favoráveis. O favorecimento nunca foi o melhor adubo para o crescimento de alguma coisa que valha realmente a pena. Nele, a vontade relaxa, se esquece de si mesma enquanto vontade, perde sua identidade. Devemos agradecer as adversidades pelas dores e cicatrizes que elas causam, essas coisas valem muito mais do que se imagina atualmente. O "sim" nunca pode ser algo efetivado, realizado, mas sim almejado, objetivado. Quando se efetiva, ele vira um nada, não um sim, nem um não... um nada, sem sentido algum.
Quer tornar sua vontade forte? Lança-te aos nãos que a vida proporciona. Enfrenta-os como um gladiador luta pela vida num arena romana. É necessário cortar-se, para ver de que é feito o sangue... E é preciso aprender a negar, para saber o que afirmar...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Apenas um verso solto...

Vai ficar postado aqui. Não sei o que fazer com ele...

Eu poderia escutar meus demônios internos, mas meus ouvidos estão voltados para o som angelical que emana de tuas asas quando as mesmas batem ao vento.
Eu teria olhos para os horizontes mais imundos que eu pudesse mirar, não fosse esta aura que carregas e me encanta e me prende em tua direção.
Eu poderia muito bem me definir completamente, designar-me com os adjetivos mais baixos que a vivência me proporciona quando me encontro sozinho comigo mesmo ao espelho, se não fosse esse vazio que me ocorre toda vez que não te sinto do meu lado, e que me diz que as bordas do meu eu se desfazem todas as vezes que eu me aproximo do teu corpo puro e casto.
Eu seria um pária que todos temem e tem nojo, se tua existência não bastasse para que a remissão de meus ocultos pecados fosse completamente efetivada nessa imensidão que são as dores e os reveses da vida.
Eu seria motivo de ódio, de cólera, de ira, não fosse esse amor que me inspira somente com o leve e doce desprezo que carregas por mim...