sábado, 22 de novembro de 2008
Curta sobre a Solidão.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Acasos felizes.
domingo, 16 de novembro de 2008
Escrevendo por escrever...
Morte necessária à vida (parte 1)
É que os olhos cansam, toda vez que um horizonte é encoberto pela névoa.
É que as lágrimas secam, toda vez que não se vê mais razões para chorar.
É que as dores cessam, alegando não se identificarem mais com o que se sente - elas se transformam.
É que o tempo requisitado não se tem mais em mãos, e as areias do passado escorrem das mãos fatalmente, rumo a talvez um esquecimento.
É que o coração não bate mais na iminência da lembrança, porque sabe que afinal, tudo tornou-se apenas uma recordação, nada mais.
E assim, o canto áureo da felicidade vai ficando para trás, rouco, vazio, abafado, afônico...
Tudo porque não se teve a visão da fatalidade, tudo porque não se previu o ocaso. Mas antes era diferente, e o sentimento era de entrega.
Por isso os olhos fixados num horizonte ensolarado.
Por isso as lágrimas eram doces, porque representavam não uma despedida, mas as razões da permanência.
Por isso não havia dores, pois não havia identificação com o que isto representa de angustiante.
Por isso havia o tempo, a disposição de ser tudo o que fosse possível ser entre os dois. A ampulheta ainda não havia se quebrado.
Por isso o coração batia compassado, ao som que sempre ecoava do que para eles era importante, significativo. Por isso a recordação não era apenas recordação, mas necessidade de se afirmar o sentimento.
Agora carregam, cansados, a mácula da desconfiança. Carregam o fardo da distância que não se aproxima. Do amor matamorfoseado em lástima e ressentimento. Deixaram de viver suas vidas próprias, para morrer a vida um do outro...
Há de se desejar um antídoto para isto...
sábado, 15 de novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Meu caro Israel
- Se tiver de ir, vá. Mas não faça ninguém ficar esperando a sua volta.
- Se tiver de voltar, diga que volta, e faça o favor de sempre cumprir com esta afirmação.
- Se tiver de dizer, diga. Mas lembre-se de sempre se dirigir de forma franca e sincera, mas também de forma cordial, com respeito.
- Não tenha medo de ser você mesmo, ou de que seja necessário mudar para evitar-se sofrimento. O contrário é preferido. Não há afeição pelo que não se gosta e as pessoas sempre estão procurando por aquilo que as identificam com os outros, e não o contrário. Portanto, ser outro que não você é, no mínimo, procurar pessoas que você não se identifica.
Fora isso, há outras recomendações que gostaria de fazer a você, mas que nesta postagem não tem sentido de se fazer.
Sei que ainda guardas um rascunho datado de 24 de Abril de 2006, lembra-se? Nele, você projetou algumas coisas que infelizmente não conseguiu atingir. Lembre-se de quais são. Algumas ainda têm sua razão de existir, outras nem tanto. E outras você já sabe que já atingiu. Bom para você. Mas procure ser cauteloso: você certamente não é mais aquele Israel de dois anos e meio atrás. Muitas coisas que decidiu para si não se cumprirão, porque não foram projetadas para você, mas para um passado seu. Não sei ainda o que desse passado você guarda, mas acredito que não seja muito. Olhando para você, sinto uma angústia (ia dizer tristeza, mas não é isso o que sinto realmente) por saber que ainda buscas algo que não sei se vai encontrar. Sua procura, contudo, foi há algum tempo interrompida. Ainda não posso dizer-te se concordo com ela ou não. Nem digo para continuá-la ou quem sabe abandoná-la. Para mim, esta busca era necessária, ela ainda é para você? Para mim, esta procura condizia com o que eu imaginava das coisas, do mundo. Ainda concordas comigo sobre estes pontos? Você parou de refletir sobre eles, e só há pouco voltou sua atenção novamente a isto. Sinto que não estejas perdido. E na verdade, talvez esta angustia que sinto refere-se muito mais a mim do que a você mesmo. E eu sei disso! Contudo, ainda quero saber se estas coisas ainda fazem parte de ti, se ainda são importantes para você. Talvez isto seja medo de que algum dia desvincule-se totalmente de mim, e tenho medo disso. Mas não leve este meu temor em consideração. Afinal, você não é mais o que eu sou, ou fui. Procure atentar para o que vem de agora em diante. Acredito que devas ter cautela com isto.
No mais, aguardo uma visita tua, mesmo que seja por intermédio da lembrança.
Atenciosamente, seu passado.


