É angustiante quando não se tem o que escrever. Principalmente quando a mão ordena veementemente que o ofício seja realizado. Boa coisa não sai quando é assim. E acredito que hoje não seja diferente. Poderia escrever sobre uma imensidão de coisas, mas não quero. Na verdade, minha vontade não quer. Mas uma vontade “quer”? Não é estranho que ela “queira”? Ou melhor, não seria já uma repetição dizer que uma vontade “quer” algo? Mas se ela “quer”, deve ser alguma coisa. A vontade “quer alguma coisa”? Isso não sei responder com certeza. Só sei que uma frustração, uma tristeza, é fruto de uma vontade não efetivada, mesmo que oculta. Daí, as grandes crises existenciais que todos têm. Daí, todas as ciências e filosofias que erigiram até agora o rumo das coisas. Daí, os feitos memoráveis de homens que mudaram o destino e o modo de ver o mundo. Tudo na vida, na vida verdadeira, não nesse enfadonho teatro que é nossa atualidade, deve ser resultado dessa disputa colossal entre um não recebido, e um sim desejado. É, portanto, sobre esse jogo de sim e não que gira todo o curso da realidade das coisas. Pelo menos humanas. Ainda não tenho uma perspectiva que me solucione a questão em termos totais, ontológicos. E mesmo essa não é a indagação aqui. Não penso na vontade como Vontade, ou seja, como substrato de todas as coisas, como “arché”. Penso a vontade nesse entremeio – sim/não. Uma vontade dura, é aquela que recebe mais nãos do que sins. Que enfrenta tantas adversidades, que se perde de vista a conta delas. Mas uma vontade fraca pode também passar por muitas adversidades. Mas a diferença, reside no fato de que, aqui, a vontade se fragmenta, se divide, se perde num mar de dores fictícias que ela cria para si mesma como sobrevivência: “se ainda dói, é porque ainda vive”. Mas, apesar de se ver viva na dor, a vontade fraca quer viver sem dor. Por isso a esquiva das adversidades, por isso o medo em enfrentar o destino, por isso a cautela em medir as palavras, os atos. Não se vive: sobvive. Enquanto a vontade forte parece confundir-se com as negações que ela encontra, a vontade fraca foge de tudo o que não lhe afaga, de tudo o que não lhe serve de consolo, ou mesmo que serve de bálsamo e de analgésico. E as vezes as vontades fortes se tornam fracas pelo simples motivo de receber muitos sins. Isso é o que há de pior para o caráter de uma vontade, no tocante às suas forças. O sim é a realização plena de um desejo, de um objetivo, de um fim. Mas quando existem diversos sins que nada significam para a vontade, ela pode se perder na imensidão de vetores favoráveis. O favorecimento nunca foi o melhor adubo para o crescimento de alguma coisa que valha realmente a pena. Nele, a vontade relaxa, se esquece de si mesma enquanto vontade, perde sua identidade. Devemos agradecer as adversidades pelas dores e cicatrizes que elas causam, essas coisas valem muito mais do que se imagina atualmente. O "sim" nunca pode ser algo efetivado, realizado, mas sim almejado, objetivado. Quando se efetiva, ele vira um nada, não um sim, nem um não... um nada, sem sentido algum.
Quer tornar sua vontade forte? Lança-te aos nãos que a vida proporciona. Enfrenta-os como um gladiador luta pela vida num arena romana. É necessário cortar-se, para ver de que é feito o sangue... E é preciso aprender a negar, para saber o que afirmar...
Quer tornar sua vontade forte? Lança-te aos nãos que a vida proporciona. Enfrenta-os como um gladiador luta pela vida num arena romana. É necessário cortar-se, para ver de que é feito o sangue... E é preciso aprender a negar, para saber o que afirmar...



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